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Por que você deveria ter mais pensamentos positivos? (Iskrépi; F-11)

24/03/2022 - Por luciana okazaki
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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“O que você pensa, você sente” – você já deve ter ouvido essa frase antes. Ela é dita frequentemente na psicologia. E se você não acredita ou nunca deu muito ouvidos a esse quase que ‘ditado popular’, te convido a me acompanhar com um pouco de curiosidade.

 

O que eu gostaria de ressaltar aqui nesse artigo são dois pontos importantes: o impacto direto da nossa mente, pensamentos e julgamentos na nossa experiência emocional interna e os caminhos neurais formados com a repetição dos nossos pensamentos.

 

Imagine que você esteja andando numa rua, a noite, voltando para a sua casa, pensando no jantar. De repente, os seus pensamentos são interrompidos por um farfalhar de folhas e galhos vindo de uma moita próxima a você. O que você imagina? Opção #1, você pensa “deve ser um pequeno animal andando no mato”. Que efeito isso tem nas suas emoções? O que isso causa em você? Provavelmente, quase nada. Talvez surja um misto de curiosidade e relaxamento e você queira saber que animal é.

 

Mas e quanto a opção #2? E se o seu pensamento for “pode ser um ladrão”. Então, provavelmente, o que você sentirá será bem diferente: tensão, medo crescente. Você experimentará sensações no seu corpo como suor nas palmas das mãos, aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração.

 

(E se for difícil para você imaginar esse cenário, sem pensar mil vezes que com certeza seria um ladrão, sugiro que você visualize esta cena acontecendo num país seguro, como o Japão, por exemplo).

 

Consegue perceber a grande diferença entre esses dois caminhos? “Um pensamento – e não um fato – muda completamente o que sentimos”, disse o psiquiatra Dr. Aaron Beck, pai da terapia cognitivo comportamental. E é por essa razão que eu bato tanto na tecla do mindfulness. Por onde andam seus pensamentos? Você passa a maior parte do tempo no replay do seu passado ou fica projetando o futuro? Sei bem que os projetistas de futuro, criam cenários mirabolantes e catastróficos em suas mentes – e isso, faz o que? Com que você se sinta mal, triste, com medo, porque o que você pensa, você sente!

 

Agora vamos para o segundo ponto: um pensamento (imaterial) deixa um traço material e duradouro para trás. Como assim? Vou te explicar.

 

Cada vez que formamos um pensamento, um caminho neuronal é formado no nosso cérebro. Os nossos neurônios vão sendo estimulados, até que se forme uma rede completa que é por onde passa o impulso elétrico. Esta rede é reforçada quanto mais esse padrão se repete.

 

Por isso, quanto mais o cérebro produz um pensamento ou reproduz uma atividade, mais forte essa rede neuronal fica. Imagine agora, a repetição de pensamentos negativos e cenários catastróficos na sua mente. Esse padrão negativo de pensamento reforça a rede e os circuitos do seu cérebro que dão suporte a ele. Ou seja, fica cada vez mais fácil de acessar aquilo.

 

Talvez você tenha alguns padrões de pensamentos inúteis, que estão já bastante enraizados e que você nem percebe que existem (é como a grama que fica pisoteada, de tanto as pessoas passarem pelo mesmo caminho). Isso porque você está no piloto automático do pensamento. Um exemplo é o das conclusões precipitadas. Mas deixarei este assunto dos padrões de pensamento inúteis para um próximo artigo.

 

Por que, então, deveríamos ter mais pensamentos positivos? Primeiro, porque eles nos conduzem a sensações, sentimentos e emoções mais agradáveis (o instinto natural do ser humano é evitar o sofrimento). Ou seja, pensamentos mais positivos, nos trazem maior sensação bem-estar.

 

Segundo, porque acredito que depois desta explicação mais científica do cérebro você não vai querer reforçar os caminhos de padrões de pensamentos negativos, facilitando que eles apareçam e se repitam, não é?

 

Esse cenário é o que acontece com grande parte das pessoas com depressão. Os estudos do Dr. Beck sugerem que os pensamentos repetitivos e negativos levam a pessoa ao estado depressivo, que, em contrapartida, retroalimenta os pensamentos negativos. E isso acaba se tornando um círculo vicioso.

 

Eu não estou falando para você tentar suprimir qualquer tipo de emoção ou sentimento que te cause desconforto (tristeza, frustração, raiva, medo...). Tentativas de evitação, negando ou silenciando, traz consequências piores para a saúde mental e emocional de um indivíduo (pior a emenda do que o soneto). Não estou falando aqui de positividade tóxica.

 

O convite que deixo hoje é para você agir um passo antes de tudo isso. É perceber quais tipos de padrões você possui e começar a trabalhar em cima deles. A conscientização é um passo fundamental para entender os seus padrões de comportamentos e pensamentos. E o mindfulness – o treino da atenção plena – é uma ótima ferramenta para isso!

 

Luciana Okazaki (Iskrépi; F-11) ex-moradora da República Cupido, é engenheira agrônoma vivendo seu propósito como Terapeuta Integrativa

 

Quer descobrir mais sobre a minha Jornada de Autoconhecimento? Veja outros insights sobre meu ano sabático, transição de carreira e como viver uma vida mais leve no meu Instagram @luciana.okazaki

 

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